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ANÁLISE DA "PROPOSTA DE IMPLEMENTAÇÃO DA DESCENTRALIZAÇÃO", DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, DIVULGADA EM 18.11.97
Mozart de Oliveira Júnior
Assessor do CONASEMS
 

Como o próprio nome indica o Ministério da Saúde apresentou uma proposta de descentralização que, por alguns aspectos, faz lembrar a NOB 01/96, embora, como veremos adiante, pouco tenha a ver com seu conteúdo.

Esta análise sucinta do documento aborda a proposta sob dois aspectos: o financeiro e da organização da política de saúde no país.

Sob o ponto de vista financeiros os principais pontos a destacar são os seguintes:

 

ASSISTÊNCIA AMBULATORIAL E HOSPITALAR

 
 
ATO ASSISTENCIAL
ATUAL
PROPOSTA INICIAL
NEGOCIAÇÃO
PROPOSTA DO MS
Valor do PAB
0,83
1,00
1,00
0,83
Valor p/ implantar o PAB em todos os municípios
 
501,
501,
168,
No de procedimentos do PAB
52
52
52
56
Fator de ajuste
 
0,50
0,50
Não há
PSF
Proc 50% >
Até 0,80/hab
Até 0,80/hab
Até 0,41/hab
PACS
Proc 50% >
Até 0,30/hab
Até 0,30/hab
Até 0,16/hab
Tabela SIA –média e alta
Abono 25%
40% diferenciado
25% diferenciado
25% linear
Tabela SIH
Abono 25%
40% diferenciado
25% diferenciado
25% linear
Vig. Sanitária
 
400,
260,
42,
    IMPLANTAÇÃO DO PAB

A proposta do MS prevê a implantação do PAB apenas para os municípios que estão abaixo da média atual, sem qualquer alteração nos demais municípios, inclusive naqueles que estão acima de R$ 1,50 (PAB + fator de ajuste proposto). Esta proposta, apresentada de diferentes formas há pelo menos 6 meses, prevê tão somente 168 milhões de reais para o PAB, contra os R$ 501 milhões previstos para a implantação plena do PAB de R$ 12,00 hab/ano já aprovada pela CIT.

VIGILÂNCIA SANITÁRIA

 Os valores propostos inicialmente para a Vig. Sanitária forma de 400 mil reais/ano, para o pagamento de um PABVS de 0,15/hab/mês. Posteriormente, na negociação, foi proposto um PABVS de 0,10, o que totalizava 15,9 milhões/mês, que somados aos valores e expectativa de produção de serviços de média e alta complexidade em vig. sanitária totalizavam R$ 260 milhões de reais/ano. Finalmente o MS apresenta proposta de gasto, apenas com o "básico" de 0,26 hab/ano ou 0,02/hab/mês (dois centavos hab/mês).

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA

 POLÍTICA DE COMBATE ÀS CARÊNCIA NUTRICIONAIS  EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE DE DOENÇAS  REPERCUSSÕES DESTA PROPOSTA NA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE  Por todos os motivos acima expostos, julgo ser suicídio político para o CONASEMS, para o SUS e para a CIT e Conselho Nacional de Saúde a aprovação desta proposta. De uma só tacada voltamos ao SUDS, acabamos com a NOB 01/96 e excluímos as instâncias intergestoras e o Conselho de qualquer perspectiva de atuação futura. Esta é, sem dúvida nenhuma, a pior proposta já apresentada até o presente momento. O que o Ministério da Saúde propõe é trocar o SUS por um orçamento para 1998 menor que o de 1997. Ou, nas contas do MS, trocar 411 milhões de reais pelo SUS, voltanto ao período pré-constitucional, onde a regra era a negociação caso a caso entre a União e os Estados.

 PROPOSTAS

  1. Manutenção de todos os critérios de habilitação de estados e municípios às diferentes gestões da NOB 01/96, particularmente no que diz respeito ao quantitativo de município e valores de transferência fundo a fundo necessários à habilitação dos estados;
  2. Manutenção do PAB em 12 reais/ano, com implantação progressiva, de acordo com a disponibilidade financeira do MS;
  3. Manutenção do fator de ajuste, uma vez que não se justifica manter PAB acima de R$ 1,50 como é a atual proposta apresentada pelo MS;
  4. A nova tabela do SIA está pronta. Por que esperar até abril para publicá-la? Publicação imediata da nova tabela;
  5. Definição do valor de R$ 2,00 hab/ano para o repasse dos recursos correspondentes à aquisição e distribuição de medicamentos para todos os municípios, o que totaliza 318 milhões de reais, valor inferior aos 390 milhões disponíveis no orçamento 1998.
  6. Volta dos valores do PACS/PSF ao que está na NOB 01/96 que representa até o dobro dos valores propostos. É mais seguro manter um número menor de equipes do PACS e PSF com plenas condições de funcionamento que apresentar estatísticas de crescimento do número de equipes com prejuízo da proposta;
  7. Repasse de todo os recursos de combate às carência nutricionais per capita, de acordo com critérios definidos pela CIT;
  8. Implantação da proposta de PPI elaborada pela equipe técnica do CONASS e CONASEMS e MS, já apresentada à CIT;
  9. Apresentação imediata da proposta da FNS, com valores, conforme foi elaborada pela equipe técnica da Fundação.

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