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PSICOLOGIA E SAÚDE

O INDIVÍDUO COMO FOCO DE ATENÇÃO

Armando Ribeiro das Neves Neto
armandopsico@hotmail.com
Psicólogo
Doutorando em Ciências da Saúde pela UNIFESP-EPM

Ao cuidar da saúde, invariavelmente, corre-se o engano de supervalorizar o estado clínico (orgânico) do paciente em detrimento de suas outras dimensões (ex. sociais e subjetivas). Para as condições agudas, em que o atendimento deve ser pontual as questões emergenciais é coerente não atentar para a subjetividade do sujeito doente, ou mesmo de sua história social, pois como bem re-conhecemos o emprego dos maravilhosos recursos medicamentosos e cirúrgicos dão conta destas situações, será isso totalmente verdade?

O cotidiano dos profissionais de saúde, ou de muitos deles, cria uma certa atmosfera de urgência, distância e imparcialidade absoluta ao contato com seu sujeito, aquele que deve receber seus primorosos cuidados fica sempre aquém do problema objetivo, real e concreto que o leva até a instituição de saúde, sua doença é o objeto principal deste cenário de cuidados à saúde. E o doente, onde fica?

Pelo que temos sentido e vivido no hospital de hoje não há um lugar para o sujeito doente, este lugar é da doença, esta sim é levada a sério (?), é motivo de orgulho ou de tristeza dos profissionais da saúde (ou melhor dizendo, doença) que lutam contra ela, ou se aliam a ela em oposição ao sujeito dela... (ex. distanásia e a iatrogenia).

Historicamente o papel da relação profissional de saúde – paciente vem sendo atacado, ora por ignorância de seu primordial papel no tratamento e restabelecimento da saúde, ora pelo desprezo econômico/político que impera no campo sagrado da saúde.

O que a Psicologia pode acrescentar aos cuidados em saúde?

Em saúde muitas coisas, mas seu principal papel é despertar os profissionais de saúde (os cuidadores) para o principal sujeito de seu cuidado – o paciente.

Não pode existir doença, sem que o sujeito esteja manifestando sua capacidade indissolúvel de existir. A doença compreendida como parte da existência de um sujeito, retorna ao cuidador a mensagem de sua própria existência, finitude e humanidade.

Psicologia e Ciências da Saúde compreendem as diversas maneiras pelas quais os indivíduos e a humanidade, exprimem seus limites e potencialidades, por isso não há razão para ignorar a importância do estudo do sujeito (doente ou não) e juntos cuidar de sua saúde.

Cada vez mais (felizmente) a consciência dos profissionais de saúde os aproxima do sujeito, novos problemas como: a não-aderência ao uso de antiretrovirais, a dependência química e a desilusão tecnológica, permitem o contato humano entre duas pessoas que possuindo papéis diferentes na mesma situação, não possuem valores diferentes para a humanidade.

Focar o indivíduo é prestar atenção à sua saúde, integridade e humanidade.

Bibliografia

BALINT, M. O médico seu paciente e a doença. São Paulo, Atheneu, 1988.

BERLINGUER, G. A doença. São Paulo, Cebes-Hucitec, 1988.

BOFF, L. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. Rio de Janeiro, Vozes, 1999.

TOTMAN, R. Causas sociais da doença. São Paulo, Ibrasa, 1982.


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