Ministério da Saúde
PROJETO REFORSUS

Rede Nacional de Informações em Saúde - RNIS

Relatório preparado para a missão do Banco Mundial

Novembro de 1997



  Ministério da Saúde
SECRETARIA DE POLÍTICAS DE SAÚDE E DE AVALIAÇÃO
Departamento de Acompanhamento e Avaliação

REDE NACIONAL DE INFORMAÇÕES EM SAÚDE – RNIS

RELATÓRIO – NOVEMBRO 97

 

O presente relatório tomará como marco cronológico o período de 23 de junho a 2 de Julho de 1997, ocasião em que recebemos a Missão de Supervisão do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que teve como tarefa a supervisão da implementação do Projeto REFORSUS. No que se refere especificamente ao REFORSUS, tal Missão visitou a Unidade de Gerência do Projeto (UGP) e as Unidades de Apoio Técnico Regional (UATRs), bem como subprojetos no Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

Nessa ocasião, a avaliação da equipe da Missão acerca do Projeto RNIS foi bastante favorável, tendo sido ressaltada a qualidade técnica das propostas apresentadas para o estabelecimento da Rede Nacional de Informações em Saúde (Relatório da Missão do BIRD e do BID, pg. 2). Importante ressaltar, que nessa ocasião, os projetos nacionais estavam em fase preliminar de negociação e, dos projetos estaduais ,apenas os estados Piloto (Rio de Janeiro, Paraná e Paraíba) haviam apresentado seus projetos, os quais ainda tiveram que sofrer algumas reformulações visando sua adequação às Diretrizes do Projeto RNIS. Importante também ressaltar que nessa data já havia sido desenvolvida a "home page" da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, exemplo da motivação resultante do Projeto RNIS nesse estado.

Com relação aos projetos nacionais, a situação se resumia basicamente a iniciativas ligadas ao DATASUS e ao IBGE:

DATASUS - foi definido como o centro principal de operação da RNIS, não só pela sua tradição de processador e disseminador de informações de saúde e centro difusor de tecnologia de informação para o SUS, como também por suas iniciativas pioneiras no uso da INTERNET, em particular da WWW. Pretendeu-se em um primeiro momento, o desenho de dois projetos ligados ao DATASUS. O primeiro seria de reforço da capacidade operacional do DATASUS e aumento de sua velocidade de acesso à INTERNET. O segundo visando a produção de um CD-ROM que reproduzisse o TABNET, software desenvolvido pelo DATASUS para tabulação de dados "on the fly" na sua home page, que serviria como instrumento de difusão do uso da WEB e das tabulações para estados ainda sem acesso à INTERNET. Ambos não tiveram seqüência, o primeiro tendo sido assumido pelo DATASUS com seus próprios recursos orçamentários e o segundo em função da decisão do DATASUS de oferecer sua tecnologia TABNET diretamente aos estados interessados (Rio de Janeiro, em primeiro lugar, seguido por Paraíba, Paraná e São Paulo.

IBGE - além da negociação para a efetivação do suplemento saúde da PNAD 98, a equipe RNIS solicitou ao Departamento de Informática do IBGE o desenvolvimento de um projeto de instalação de salas públicas de acesso à INTERNET e aos CD-ROM com informações de saúde nas 15 capitais com maiores dificuldades de infra-estrutura. Esse projeto foi desenvolvido e chegou-se à elaboração do correspondente convênio mas, alertado pela chefia do Centro de Documentação e Disseminação de Informações de eventuais dificuldades operacionais advindas do acréscimo de consultas ligadas ao projeto, a direção do IBGE determinou a reformulação da estratégia de implantação do projeto, através de uma experiência piloto. Essa negociação está em curso.

Com respeito aos projetos estaduais, o primeiro evento após a vinda da Missão, foi a reunião, ocorrida em 26/06/97 dos membros da equipe do Projeto RNIS no RJ com os membros da futuro Comitê de Avaliação dos Projetos RNIS, essa última designada através de portaria ministerial, publicada, através da Portaria Ministerial No.821 no Diário Oficial da União (DOU) de 26/06/97. Nessa reunião, foram discutidos e validados os Elementos a Considerar na Elaboração de Projetos para a RNIS, tendo-se definido a INTERNET como o suporte exclusivo para o tráfego das informações da RNIS (reformulação do objetivo 2, dos 8 objetivos definidos nesse documento).

As primeiras versões dos projetos estaduais chegaram à UGPC2-RJ durante o período de 14/04/97 (Projeto da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás) à 19/06/97 (Projeto da Secretaria Estadual de Saúde de Roraima), apesar da Carta Convocatória para a captação de projetos dos estados para a RNIS ter sido enviada aos estados há dois meses da primeira data. Esse grande hiato temporal deveu-se a motivos os mais variados, sendo que o mais freqüente desses, certamente foi a deficiência de recursos humanos capacitados para o desenvolvimento de um projeto inovador e demandante de recursos humanos qualificados na área da informática em saúde, bem como do suporte técnico e do entrosamento com as empresas governamentais de processamento de dados em cada estado.

Na segunda reunião do Comitê de Avaliação com a equipe do Projeto RNIS, ocorrida no escritório regional do DATASUS em Brasília, em 10/07/97, efetuou-se a avaliação dos Projetos dos estados disponíveis até então, quando percebeu-se a importante heterogeneidade de formatação e de conteúdo dos Projetos, denotando um baixo grau de compreensão dos objetivos e diretrizes da RNIS por parte dos estados. Dessa reunião, ressaltaram as seguintes observações:
 

Também foram definidos, os compromissos a serem assumidos pelas Secretarias Estaduais de Saúde ao tornarem-se signatárias dos convênios com o Ministério da Saúde:

Ainda nessa reunião, ficou clara a necessidade da elaboração dos seguintes documentos:

Nessa reunião, por fim, tornou-se evidente a necessidade da realização do Io. Seminário Nacional da RNIS, a ser realizado em São Paulo no período de 31 de Julho à 01 de Agosto de 1997, com o seguinte conteúdo programático: Conectividade; Padrões e Portes dos Equipamentos; Lista de Preços Básicos; Sistemas Desenvolvidos pelo DATASUS; Modelo Padrão para Apresentação dos Projetos Estaduais; Compromissos das Ufs e Discussão das Questões Levantadas pelo Comitê de Avaliação.

Esse Seminário ocorreu na data e local previstos, tendo contado com a participação de todos os estados da federação, com exceção dos estados de Alagoas e Maranhão. Esse evento serviu como mais uma oportunidade de capacitação de recursos humanos e de esclarecimento sobre os objetivos e diretrizes do Projeto RNIS. Da apresentação final dos grupos de trabalho puderam ser derivados 7 (sete) pontos sintéticos que são descritos a seguir:
 

    1. Dificuldade em garantir os recursos humanos em qualidade e quantidade suficientes, especialmente nos estados do Norte do país e em alguns estados do Nordeste;
    2. Necessidade da consolidação das várias bases de dados em uso na área da saúde;
    3. Vários estados adotarão uma estratégia de implementação da RNIS em dois tempos; o primeiro abrangendo o nível central e regionais de saúde e o segundo estendendo o processo aos municípios a partir das regionais;
    4. Deve-se descentralizar, ao máximo possível, as atividades de captação e processamento dos dados para os níveis municipais;
    5. Deve-se buscar meios de comprometer os estados com a continuidade da RNIS, mesmo após o término do Projeto REFORSUS (e do financiamento por meio deste);
    6. Necessidade de discutir-se o conteúdo das informações que trafegarão pela RNIS;
    7. Necessidade do estabelecimento de um padrão de velocidade mínima de conexão para os servidores de informação das secretarias estaduais, que deverão estar conectados a um "back-bone" a 64 kbits, no mínimo.

Ainda nesse Seminário, foram alcançadas algumas resoluções por parte do Comitê de Avaliação, que passam a ser descritos a seguir:

    1. Deve-se implementar um padrão para a designação dos nomes de domínio relativos à saúde (e à RNIS, por extensão): saúde.uf.gov.br, onde as letras "uf" serão substituídas pelo código de duas letras do respectivo estado;
    2. É necessário definir, a curtíssimo prazo, as normas referentes às contrapartidas dos estados, tanto no que se refere às Normas do Banco Mundial, quanto às Normas do Tesouro Nacional relativas a convênios;
    3. Os Seminários de Acompanhamento dos Projetos deverão ser realizados semestralmente;
    4. Deverão ser realizados dois (2) Seminários Técnicos de Capacitação: um para os estados com menor grau de incorporação tecnológica e outro, mais geral, sendo o primeiro o mais breve possível;
    5. Os estados dos Projetos-Piloto deverão ter compromissos adicionais em relação à RNIS e estes deverão constar dos convênios;
    6. Os procedimentos e normas técnicas relacionadas às atividades da RNIS deverão ser documentados, criando-se material instrucional e de referência para disseminação.

A partir desse Io. Seminário Nacional do Projeto RNIS, todos os estados receberam, através de correio eletrônico ou sedex, um conjunto de arquivos eletrônicos contendo os seguintes documentos:
 

    1. Modelo Padrão - documento padrão para a reapresentação dos projetos dos estados, permitindo um melhor nível de análise das características específicas de cada projeto e sua pertinência e adequação aos objetivos e diretrizes da RNIS;

    2.  
    3. Plano de Trabalho – documento padrão contendo dados cadastrais dos estados, dados de outros partícipes, descrição sumária do projeto, cronograma de execução, plano de aplicação dos recursos, cronograma de desembolso, declaração de inexistência de débito, mora ou qualquer situação de inadimplência com o Tesouro Nacional ou outro órgão ou entidade da Administração Pública;

    4.  
    5. Minuta do Convênio – documento propositivo do convênio a ser celebrado entre o MS e as SES, elaborado pela equipe jurídica do REFORSUS;

    6.  
    7. ANEXO 1 – documento padrão em forma de planilha eletrônica, objetivando o detalhamento de serviços de terceiros ou de consultoria previstos em cada estado;

    8.  
    9. ANEXO 2 – documento padrão contendo uma planilha orçamentária e preços referenciais para os seguintes itens: a) "hardware" e mobiliário; b) "softwares" e serviços; c) Treinamento; d) Serviços contínuos e e) Material de consumo; esses dois últimos necessariamente como contrapartida por parte dos estados;

    10.  
    11. Arquivo de texto esclarecendo a necessidade dos estados apresentarem o documento de aprovação de seus projetos pela Comissão Interinstitucional Bipartite de sua UF.

Por fim, como concretização de uma das decisões alcançadas pelo Comitê de Avaliação durante o Seminário de São Paulo, realizou-se no DATASUS-RJ, no período de 08 e 09 de setembro de 1997, o Seminário de Capacitação Técnica, voltado para os estados com menor incorporação tecnológica e com maior carência de recursos humanos em informática em saúde. Participaram desse seminário os seguintes estados: Tocantins, Roraima, Acre, Amazonas, Rondônia, Amapá, Piauí, Maranhão e Alagoas. Nesse Seminário, percebeu-se uma importante heterogeneidade na qualificação dos recursos humanos representantes dos estados, que impediram o aprofundamento e detalhamento de alguns aspectos técnicos necessários à elaboração adequada dos projetos, impedindo assim o alcance de uma das metas do Seminário que era o alcance de uma versão final dos projetos desses estados. Mesmo assim, o evento foi majoritariamente avaliado como "bom" e "ótimo", denotando sua importância para a progressiva capacitação e compreensão das idéias centrais da RNIS por parte desses estados.

Ainda nesse Seminário, foram levantadas duas questões relevantes que merecem alguma reflexão, visto que poderão ter conseqüências desfavoráveis para a evolução dos projetos nesses estados:

A primeira, diz respeito à extrema carência de recursos humanos tecnicamente qualificado em suas Secretarias, o que os leva a ter sérias preocupações quanto à continuidade do Projeto RNIS em suas regiões. Esse é um problema estrutural de captação e treinamento de RH, aparentemente generalizado nos estados que o referiram (isto é, não está restrito à área de informações em saúde), cuja solução transcende os limites de atuação do Projeto REFORSUS, mas que precisa ser discutido e enfrentado. Uma possível solução pode ser o desenho de programas especiais de treinamento e capacitação, com o apoio do MS, porém os estados em questão necessitam comparecer com o compromisso político objetivando a estruturação adequada de seu pessoal técnico.

A segunda questão, diz respeito à precariedade das redes de comunicação, em especial nos estados da região Norte do país. Esse fato, associado às características de distribuição populacional destes estados (baixa densidade demográfica, com grande concentração nas capitais – em alguns casos alcançando 75% da população total do estado), nos leva a questionar a factibilidade de uma das metas do Projeto RNIS que é a integração da totalidade dos municípios nacionais no prazo de três anos.

A partir do envio desses documentos aos estados, realizado uma semana após o Seminário de São Paulo, transcorreu um período de dois meses até o início da chegada dos projetos já no Modelo Padrão. Nesse período a equipe da RNIS recebeu um grande número de contatos telefônicos por parte dos estados a fim de solucionar várias dúvidas encontradas no preenchimento desse documento. Mesmo assim, com a chegada dos projetos, sua análise mais detalhada permitiu a detecção de um conjunto variado de incorreções e divergências dos objetivos e diretrizes definidas para o Projeto RNIS, que podem ser resumidos da seguinte maneira:

  1. Não envio de um ou mais dos seis documentos acima discriminados;

  2.  
  3. Extrapolação do teto orçamentário previamente definido para o estado (a partir de critério populacional: estados < 3 milhões de habitantes = R$ 250.000,00 e estados > 3 milhões de habitantes = R$ 350.000,00; além de 3 projetos-pilotos com valor = R$ 1.000.000,00);

  4.  

    Mapa demonstrativo da distribuição dos projetos dos estados por valor do teto do financiamento

     

     

  5. Incorreções na construção dos orçamentos;
  6. Não elaboração de uma ou mais das planilhas que compunham o Modelo Padrão;
  7. Indefinição do cronograma físico-financeiro;
  8. Previsão de desenvolvimento de sistemas sem justificativa adequada e convincente;
  9. Utilização de recursos para desenvolvimento de sistemas ou instrumentos não contemplados pelas diretrizes da RNIS (ex: desenvolvimento de centrais de marcação de consultas);
  10. Excessiva centralização dos recursos ao nível da Secretaria Estadual de Saúde, algumas delas não contemplando nenhuma integração municipal;
  11. Outros (sub-utilização dos recursos, indefinição de consultorias, etc)

No momento atual, existem quatro projetos estaduais já aprovados pelo Comitê de Avaliação (Distrito Federal, São Paulo, Maranhão e Paraná), estando os mesmos na fase de assinatura do Convênio junto ao Ministério da Saúde. A seguir, apresentamos um mapa demonstrativo da situação atual dos projetos, segundo sua situação de análise:

 

Como podemos constatar, o Projeto RNIS apresentou até o momento ótima receptividade por parte das Secretarias Estaduais de Saúde, que, em sua maioria, desenvolveram projetos com um grau importante de integração regional, permitindo o acesso à Rede a um conjunto progressivamente crescente de Secretarias Municipais de Saúde, tendência compatível com o objetivo de integração da totalidade dos municípios brasileiros ao término de sua vigência.

Por fim, cabe ressaltar algumas preocupações emergentes da tarefa diária de análise e acompanhamento dessa fase de implantação do projeto nos Estados:

Atualmente o Projeto RNIS é coordenado pelo diretor do Departamento de Acompanhamento e Avaliação da Secretaria de Políticas de Saúde e de Avaliação, Dr. Helvécio Bueno, e conta com equipe técnica sediada no DATASUS - Rio de Janeiro,  composta por: Dr. Ezequiel Pinto Dias,  representante do DATASUS, Dr. Marcelo Cosendey, consultor contratado e  Ricardo Rochfort, técnico contratado, tendo há 1 mês sofrido a perda do consultor Dr. Kenneth R. Camargo Jr., que passou a se dedicar exclusivamente à sua carreira docente.

Assim, torna-se fundamental um reforço nessa estrutura (recursos humanos, equipamentos e sistemas de informações gerenciais) atualmente disponível para a avaliação e o acompanhamento do Projeto RNIS a nível nacional, sem o qual correr-se-á o risco da impossibilidade de acompanhamento "in loco" da adequada alocação dos recursos do projeto, o que poderia ter conseqüências na concretização dos projetos nos estados.


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